quarta-feira, fevereiro 27, 2002




Esse blog andou morto por um bom tempo. Mas foi de morte matada, não de morte morrida. Excesso de trabalho e falta de tempo, como sempre. O pior é que, se antes quase ninguém acessava, imagine agora. Acho que nem minha namorada entra mais, porque sabe que não o tenho atualizado. Vou ter que mandar um e-mail pra ela, avisando que escrevi aqui.

Bom, vou tentar retomá-lo. Por enquanto, para não perder o hábito, digo aqui que a amo cada dia mais.

Você é linda, meu amor. Linda demais.
:)



sexta-feira, fevereiro 15, 2002




São Thomé das Letras,
a terra dos puxadinhos


Publico aqui alguns relatos sobre meu intenso carnaval em São Thomé das Letras.
A primeira surpresa vivida ao chegar na pitoresca São Thomé, foi descobrir que a cidadela, ao contrário do que eu esperava, não é toda de conservadas casinhas de pedra sobre pedra. Pelo contrário, parece mais com um canteiro de obras ou um favelão. Todo habitante de São Thomé parece ter aderido a mais uma mania, além dos ETs, duendes, fadas, baseados, pinga com mel e vinho Marcon: o puxadinho. Todo barraco tem sua própria lage, seus quatos adjundos e seus segundos-andares acrescidos sobre a construção original.


A terra dos Smurfs

Não encontrei duendes nem fadas na terra dos Smurfs – talvez porque tenha ficado sóbri o tempo todo (ou quase). Mas tenho que admitir que em alguns momentos me senti em uma aldeia encantada perdida em uma dimensão paralela: a minúscula cidade simplesmente “termina” na encosta de um morro, em uma pedreira, ou em uma estrada interditada, como se o único acesso a ela fosse através de um portal dimensional.


Walleska Cristinah

Mas a maior de todas as surpresas foi encontrar por lá Walleska Cristinah, vulgo Vanessa Marques(como assina sua persona virtual). Dada como desaparecida no blog do Mytho , ninguém tinha desde então qualquer pista sobre a Rainha da ZL. Ao chegarmos em São Thomé, deparei-me com um hippie completamente chapado cantando Elymar Santos e desembaraçando sua longa barba. Um pouco mais adiante, estava Walleska, bem mais magras do que seus anteriores 300 kilos, sentada sobre um cogumelo gigante, conversando com duendes e fadas invisíveis. E ela afirmou que não tinha tomado nem um gole de Catuaba Selvagem ou de vinho Chapinha no último mês.

Preocupados com a garota, resolvemos levá-la para nossa pousada, onde ficaria sob nossa vigília e cuidados.

Desde então, começou uma tempestade sem igual Choveu ininterruptamente durante 2722 dias e 2721 noites, período em que nossa existência se resumiu a comer e dormir, já que a chuva torrencial nos impediu de sair do quarto. Walleska logo retomou sua forma obesa, atingindo, dessa vez, 301 kilos. Eis que depois de tanto tempo na cama, a magia do lugar tomou conta de nós. Certa manhã, quando acordamos – ou tarde, ou noite, impossível saber já que não tínhamos hora para dormir – notamos que raízes brotavam de nossos corpos e penetravam nossas respectivas camas e o chão sob elas. Enraizados, com cabelos longos, gordos e sujos, logo nos tornamos a grande atração turística da cidade. Pessoas do país inteiro íam a São Thomé para ver os “paulistas enraizados”.

Certo dia, ouvi uma turista comentar com sua acompanhante: “está vendo, sua descrente? Não te disse que gnomos existem?! Olha um lá!! Eu falei, eu falei!!”. Ela apontava para os pés da cama de Walleska, onde uma pequena criatura a observada, com lágrimas nos olhos. Na verdade, era o Mytho quem estava lá, lamentando a sorte da pobre Walleska, mas ninguém notou a diferença e, assim, os gnomos ganharam um crédito nunca visto antes. A partir de então, todos passaram a acreditar em sua existência, e eles voltaram a ser uma grande atração, dividindo conosco a atenção do público.

Por esses tempos, quando já estávamos naquelas condições há quase 30 mil dias, as fadas não se agüentavam mais de ciúmes. Ninguém mais as procurava. Nas lojas, todos compravam bonequinhos nossos e do Mytho - sempre acreditando que ele é um duende – feitos de maizena e cola, e os bonequinhos de fadas sobravam nas prateleiras. Logo deixavam de serem feitos. E, em São Thomé, assim como na Terra do Nunca, cada vez que alguém diz convicto “eu não acredito em fadas”, uma delas morria. Elas estavam à beira da extinção. Para salvar a espécie, reuniram suas forças e juntas, conseguiram nos devolver as nossas formas originais, e nos livrar do claustro.

Livres, finalmente livres. Era preciso comemorar. Sentamos em um boteco e pedimos a primeira pinga com mel que tomaríamos em cerca de 80 anos. A primeira de muitas. Bebemos uma atrás da outra e ali ficamos, por cerca de 5 mil dias, bebendo. Era muita alegria pedindo vasão. Mas claro, Walleska Cristinah ficou em estado lamentável. Enquanto os outros resistiam bravamente a perder o pouco de sobriedade que nos restava, ela saiu correndo do boteco, tropeçando e caindo diversas vezes. A última delas, aos pés da ladeira que leva ao Bar do Dois, ao Cruzeiro e à Casa da Pirâmida. Caída, de quatro, ela enrolou calmamente um baseado e o levou à boca. Depois, com o baseado no canto da boca, subiu de quatro aquela ladeira, cantando “ala la ô, ô ô ô, ô ô ô”. Não a vimos mais esta noite. No dia seguinte, já sóbrios mas com uma tremenda ressaca, subimos a ladeira à procura dela. A encontramos sob o Cruzeiro. Muito queimada de sol, tinha uma marca branca em forma de cruz sobre o corpo, deixada pela sombra do Cruzeiro. A baguilha um pouco aberta. A garrafa de vinho Marcon vazia, tombava ao lado. Dezenas de camisinhas indianas, dessas distribuídas gratuitamente pelo governo durante o carnaval, estavam jogadas a seu lado, usadas. Do outro lado, um hippie imundo, com cabelos e barbas até a cintura, despertava. Com um tremendo bafo de pinga e nenhum dente na boca, virou-se para Walleska e perguntou, carinhosamente: “foi bom pra você?”

Nunca mais a vimos desde então. Voltamos para São Paulo sem ela. As últimas informações que tivemos, é a de que ela hoje habita o Vale das Borboletas, com seu amado e diversas fadas, e carrega trigêmeos no bucho. Há quem diga que ela própria se transformou em fada. Mas uma coisa é certa: ela encontrou a felicidade em São Thomé, essa terra amara, linda, brejeira.

Assim foi meu carnaval. Porque em uma cidade confinada a Cem Anos de Solidão, o improvável acontece. Ou não.



sexta-feira, fevereiro 08, 2002




Às vezes o trabalho me dá vontade de sumir.

Agora está virando rotina: toda sexta-feira. Na passada, era uma data especial para nós. Não pude vê-la. Escrevi a respeito. Saí da agência exausto, destruído, com o presente dela, que estava embaixo da mesa, todo estropiado. A rosa murcha. Com um inacreditável nó na garganta e uma imensa vontade de me trancar em meu quarto e chorar. Ou de abraçá-la com força, o que é muito melhor. Mas não podia. Ao menos telefonar, ouvir sua voz. Que dia infernal. Caixa-postal. Ligo de novo. Caixa-postal. Mais algumas vezes. Caixa-postal. Então deixo recado: me liga.

Bom, agora é véspera de Carnaval, passagem comprada. Mala sob a mesa, onde estava o presente uma semana atrás. Aguardando o momento de encontrá-la. Quatro dias juntos. Stress no trabalho. A eminência de cair a casa. Eu com meu trabalho sob controle: posso sair às 7 em ponto. Ligo pra ela marcando horário? Todos os outros correm para lá e para cá, dizendo-se abarrotados de trabalho. Parece que alguém vai perder o feriado. Eu não. Por favor, não. Melhor não ligar ainda, melhor ter certeza. A batata quente pode passar para mim a qualquer instante. Hoje não suportaria me queimar. A agonia da espera já queima bastante.

É nessas horas que odeio meu trabalho.



quarta-feira, fevereiro 06, 2002




Boas razões não devem ser esquecidas, embora algumas coisas dispensem razões.

;)


Pequenas razões

A forma com que me olha
Como seu olho brilha ao meu menor carinho
Sua ternura
Seu orgulho
Sua admiração
Sua inteligência
Sua espirituosidade
Sua sensibilidade
Seu talento
Sua leveza
Sua companhia
A falta q vc me faz
Sua espontaneidade
Sua forma de declarar, delicada e sincera "estou com saudades"
O modo como sorri entre dentes
O modo com q permite ser olhada
O modo com q me toca
O modo com q pára o tempo
Como mostra poder ficar horas a meu lado
Com q me faz me sentir uma boa companhia
Como me diverte
Como me surpreende
Como se revela
Como se mostra forte
Como se mostra frágil
Como passa o dedo na borda do copo
Como desvia o olhar qdo tímida
Como me abraça
Como se faz presente, sem ao menos me tocar
Como desata a falar
Como cobra meu diálogo
Como pede minha presença
Como quer minha companhia
Como fecha os olhos
Como fica quieta
Como brinca com as mãos
Como arruma o cabelo, por trás da orelha
A expressão depois do beijo
O deleite pelo dia a dia
A paciência doce
A impaciência intensa
A calma complacente
A inquietação apaixonante
Os gestos delicados
Como me conta cada pequena importância
Como me conta cada detalhe fútil
Como me apraz com futilidades, tanto qto com qq coisa
Como é bom te ouvir
Como é bom o teu silêncio
Como é doce tua voz, e delicadas tuas palavras
Como me diz bom dia
Como segura minha mão
Como reclama de tudo
Como não se satisfaz
Como é difícil te conquistar por inteiro
Como é fácil te agradar por instantes
Como instantes se tornam anos
Como lê minha palavras descuidadas
Como comenta minhas idéias perdidas
Como abala minhas certezas
Como controla meus abalos
Como me acalma
Como me ouve
Como é companheira
Como é mais minha amiga do q nunca
Como é segura
Como é confusa
Como se decide de repente
Como pensa e pondera longamente
Como está sempre próxima
Como está sempre reservada, tão vc
Como deita a cabeça em meu ombro
Como respira fundo e se deixa ficar
Simplesmente ficar
Simplesmente ali estar
E o tempo passa, inquietante, assustador, lento, intenso.
Como vc se acostuma
Como muda facilmente
Como é bela a cada mudança
E como é sempre efêmera, em sua natureza sólida
Constantemente inconstante
Docemente vc.





terça-feira, fevereiro 05, 2002




Clichês

Falta tempo para escrever. O trabalho volta a me consumir. Mas não tem me impedido de vê-la, ao menos isso. Quer dizer, não pude vê-la em uma data especial, mas temos nos visto com uma freqüência razoável. E como você mesma diz: todos os dias são especiais. Sim, todos os dias são especiais a seu lado.

Esse blog tornou-so o lugar onde me dedico a você quando não estamos juntos. Quando penso em você, mas você não está a meu lado. Mas é impossível recorrer a ele sempre que isso acontece. Dedico-me a você em pensamento. E em pensamento não há restrições. A dedicação é em tempo integral. Porque a dedicação é um prazer. Pensar em você é ótimo. Fazer as coisas por você é ótimo. O maior prazer está em dar prazer. A maior felicidade está em fazer feliz.

Queria ter mais do que clichês para te dizer. Mas são eles que melhor traduzem meus pensamentos agora. Porque os clichês somente são repetitivos e vazios para quem não compreendem sua unicidade e profundidade. São repetitivos para quem é incapaz de olhar duas vezes para uma mesma mulher e ver uma mulher diferente. A cada olhar, notar um novo detalhe, mais apaixonante. São rasos para quem não pode olhar para uma mulher, e ver mais do que um brilho no olhar, mas do que um sorriso nos lábios. Eram repetitivos e rasos para mim, antes de você.

As palavras são as mesmas, mas o significado é outro. Amo você mais a cada dia. Mais que ontem e menos que amanhã. Porque nada é igual quando nós já não o somos. E eu estou em constante mudança a seu lado. Porque mudamos muito sempre que algo importante nos acontece. E cada instante a seu lado é importante. E tudo isso graças a outro clichê, o maior de todos, aquele repetido com maior freqüência por todos os lados, pelos apaixonados e pelos que nem sabem o que ele significa. Tudo isso porque eu amo você.

Se retirarmos todos os clichês desse texto, acaba-se o texto. Um texto cheio de significado. Cheio de palavras triviais, repetidas exaustivamente. Mas com significado demais para ser descartado por mera impaciência léxica. Não, não vou procurar novas construções para dizer o mesmo, quando com velhas contruções posso dizer algo único. Eu amo você. É único para mim. Espero que sempre o seja para você.

A propósito: você é linda demais.



sexta-feira, fevereiro 01, 2002




Um mês pode ser muito tempo, assim como pode passar muito rápido. Mas um mês intenso faz ambas as coisas simultaneamente. É muito tempo, porque é intenso, e passa rápido porque é intenso. E esse mês foi intenso, sem dúvida. Como cada instante que passo a seu lado.

Devia ter escrito isso pela manhã, mas a correria do excesso de trabalho me impediu. Assim como me impediu de te ver hoje.

Bom, antes tarde do que nunca. Aqui está um singelo post sobre nosso mês. Intenso. Lindo. Feliz.

Amo muito você.
;)


quarta-feira, janeiro 30, 2002




As pessoas brigam por cada bobagem, né?!

Por outro lado, uma bobagem pode ser tão incrivelmente irritante!

De qualquer forma, é sempre triste brigar com você, ainda que seja algo tão insignificante que mal dê para chamar de briga. Mas também é sempre triste quando você faz essa "bobagem" tão irritante. Ao menos, eu fico triste. Com ambas as coisas.

Amo muito você, viu?!
;)






Eu odeio a Telesp Celular.
Eu odeio a Telesp Celular.
Eu odeio a Telesp Celular.
Eu odeio a Telesp Celular.
Eu odeio a Telesp Celular.
Eu odeio a Telesp Celular.
Eu odeio a Telesp Celular.
Eu odeio a Telesp Celular.
Eu odeio a Telesp Celular.
Eu odeio a Telesp Celular.